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Luto e perda

Quando o luto deixa de avançar

Não há um prazo para o luto. Há, no entanto, sinais de que o processo ficou parado — e é sobre isso, não sobre o tempo decorrido, que costuma valer a pena pensar.

6 min de leitura

Uma das perguntas mais frequentes depois de uma perda é quanto tempo isto deveria durar. A pergunta faz sentido: quem está a atravessar um luto quer saber se o que sente é esperado, e quem está por fora quer saber quando a pessoa vai ficar bem.

A resposta honesta é que não há um prazo. O luto não segue etapas fixas por uma ordem definida, e a ideia de fases sucessivas — muito difundida — descreve mal o que a maioria das pessoas descreve: uma oscilação, com dias mais suportáveis e outros em que a perda volta com a força do primeiro dia.

O que faz o luto oscilar

É comum haver períodos de funcionamento aparentemente normal interrompidos por momentos intensos, desencadeados por coisas pequenas: uma música, uma data, um objeto guardado numa gaveta, uma voz parecida ao telefone. Essa alternância não é um sinal de que algo está a correr mal. É a forma habitual do processo.

Também é comum que a intensidade diminua mais depressa do que a estranheza. Muitas pessoas dizem que o choro se torna menos frequente muito antes de a ausência deixar de parecer irreal.

Sinais de que o processo ficou travado

Em vez de olhar para o calendário, costuma ser mais útil olhar para o movimento. Alguns sinais de que o luto pode ter ficado parado:

  • A perda continua a ocupar a maior parte dos pensamentos, meses depois, sem qualquer variação
  • Evitar de forma sistemática lugares, conversas, fotografias ou objetos associados à pessoa
  • Manter tudo exatamente como estava, ou o oposto — eliminar todos os vestígios rapidamente
  • Não conseguir retomar trabalho, estudos ou vida social, ou retomá-los sem que nada faça sentido
  • Culpa persistente: por não ter feito mais, por ter sentido alívio, por continuar a viver
  • Sono e apetite alterados de forma prolongada

Nenhum destes sinais, isolado, define nada. O que costuma indicar dificuldade é a combinação de vários, mantida no tempo, com a sensação de que a vida deixou de andar.

Lutos que tendem a ser mais difíceis

Algumas circunstâncias tornam o processo mais pesado, e vale a pena reconhecê-las em vez de as atribuir a fragilidade pessoal: mortes súbitas, violentas ou em circunstâncias traumáticas; relações que ficaram com conflito não resolvido; perdas que não puderam ser partilhadas ou reconhecidas por quem está em volta; e várias perdas concentradas em pouco tempo.

Há ainda os lutos que não envolvem morte — uma separação, um diagnóstico, o fim de um projeto de vida — e que raramente recebem o mesmo reconhecimento social, o que os torna mais solitários.

O que ajuda

Falar com quem está disponível para ouvir sem tentar consertar. Manter algumas rotinas mínimas, sobretudo de sono e alimentação, mesmo quando não apetece. Não decidir sobre casa, trabalho ou objetos significativos em momentos de maior intensidade, se for possível esperar. E não medir o processo pelo tempo que os outros consideram razoável.

Quando o processo parece parado, quando o sofrimento se mantém sem variação ao longo de meses, ou quando não há com quem falar sobre isto, o acompanhamento psicológico pode ajudar a desbloquear o que está travado. É o que se trabalha em consulta na área de luto e perda.

Este texto é de carácter geral e não substitui uma avaliação individual. Se houver ideação suicida ou risco imediato, deve procurar-se ajuda urgente através dos serviços de saúde.

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